terça-feira, 7 de junho de 2016

estar amorosamente no mundo



como dançar nos escombros?
como atravessar o nevoeiro?
como não perder o norte?
como celebrar um instante?
como sorrir sem perder os dentes?

como estar perto ainda que distante?
como estar presente ainda que longe?
como estar junto ainda que triste?
como estar forte ainda que leve?
como ter cuidado como ter cuidado?
como dar a mão sem perder o passo?
como não perder o entusiasmo?
como acolher o que acontece?
como ter cuidado como ter cuidado?
como olhar em torno sem perder o centro?
como estar por dentro ainda que no mundo?
como ter cuidado como ter cuidado?
como deixar ser ainda que estranho?
como te abraçar numa tempestade?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

quem é você agora?



esta é uma carta aos trinta anos.
olho o espelho
tem um nariz fora do lugar
um olho mais baixo que o outro
algumas espinhas - estas já deviam ter dado no pé
algumas saudades - já tive mais, já tive mais
uma leve desconfiança
um erguer diferente das sobrancelhas
uma vontade louca de ser tudo
outra vontade enorme de dormir
parece um estágio entre
lagarta e borboleta
quando já não mais se rasteja
nem ainda se voa
quando já não mais se acredita de olhos fechados
mas fecha os olhos com veemência para acreditar
minha inocência é meu triunfo
minha divagação pelo mundo também
pergunto quem foi aquele que realmente amei
ou aquela, ou aqueles, ou aquilos
em relacionamento sério com o palco
e com tudo que me atravessa
quero dançar
quero dançar
quero dançar
eu não terei medo de viver
nem de morrer de amor
meu compromisso é com a alegria
e com o instante inaugural
esta é uma carta aos 30 anos
vida sobrenatural.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Habanera





Dos passos que demos,
muitos bem dados,
a sorte esteve sempre do nosso lado
como a companheira que dança
e acompanha atenta
o giro, o salto,
a confirmação de que só se dança
acompanhado
mesmo sozinho há o espaço,
as pausas,
a respiração.
Voltamos então ao começo da grande volta no salão
pra recomeçar de novo
e de novo...
e de novo...
e de novo...

sábado, 26 de novembro de 2011

cuide-se


era uma vez um casal cheio de cuidados.  cuidaram-se tanto que não se conheceram.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

sem posses


meu amor por você não tem desejo de posse. depois de um longo respiro, posso voltar a escrever. é estranho ver, tamanho desejo aceitando a grandeza do mundo. não quero amarrar você nos meus pulsos. não quero despermitir. a nossa estória foi feita de vôos. despedidas. fins. meios de. aceitar o difícil, desde o início, já era isso. fazer o peso ser leve. sorrir, apesar de tudo. sorrir sempre. pode doer, mas não se esqueça de abrir a janela. continuo na porta de casa. não sei por quanto tempo. não importa. mesmo. enquanto houver desejo, olharei pra sua janela. e, de tempos em tempos, vou ver o mar.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

coração

tô feliz de você existir assim: leve, perto, bom. um passo de cada vez. junto.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

pega a melodia e engole


engraçado: o coração devia doer. melhor: deveria sangrar. depois de tanta crueza, de tanto murro em ponta de faca, tudo deveria desmoronar. não mais: deveria quebrar. pra quê? não sei. pra onde? pra lá. engraçado: as coisas deveriam ser mais difíceis. melhor: deveriam ser tristes. depois de tanta maldade, de tanta saudade gasta em vão, tudo deveria explodir. não mais: deveria cair. por quê? sei lá. por quem? por ti. engraçado: deveria demorar mais pra chover. melhor: deveria parar. depois de tanto cansaço, de tanto grito oco no ar, tudo deveria morrer. não mais: deveria sumir. pois não? cansei. pra mim? passou.